sábado, 13 de novembro de 2010

Uma teoria sonâmbula

São 1:46, a casa esta silenciosa e eu sem sono algum....pensei, fiz alguns planos para um futuro recente e acabei decidindo por fazer um pouco de companhia a fantasmas, que como eu, dormem tarde e não participou dos embalos que um sábado oferece.

Só quero apresentar aqui minha teoria sobre o amor... para essa pseudo-escritora, esse sentimento não tem definição, uma nomenclatura certa, nem é uma doença aonde todos seus sintomas são fixos.A verdade –pelo menos pra mim- é que amor é uma construção de ações cotidianas.
Ações que não são, iguais aquelas dos filmes, aonde só palavras bonitas serão faladas e tudo será perfeito como um dia de sol...
Amor são conversas silenciosas que ambos entendem o significado. É percepção da eternidade que um minuto possui.
São olhares que ninguém viu gestos que ninguém reparou. É achar graça de um simples olhar ou de um sorriso.
É se sentir protegida por um abraço, de ter suas esperanças renovadas com um afago na mão.
Amor mesmo é um amontoado de afinidades ou de aversão. O que tem um significado exato e o indescritível
A linha tênue que separa ódio e paixão...
Enfim é o tudo e o nada!

A sua filósofa da madrugada.L.C.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Angustias


Nunca tentei escrever algo cuja personagem principal fosse uma garota, penso que seja mais uma mulher adulta, balzaquiana, experiente, mas desiludida. Não pararei pra fazer descrições pretendo trabalhar mais afundo esta personagem em algum conto futuro então deixo aqui apenas um pequeno fragmento. Espero que se divirtam.


“Incomoda-me, e muito, ver o homem com o qual gostaria de desenvolver um relacionamento, rodeado de amigos e sorrindo como um babaca. Não que a felicidade dele seja um problema em si, o problema é que se resume apenas na felicidade dele e, naturalmente, dos amigos também. Aqueles sujeitos barbados e mal trajados sentados bebendo suas cervejas tem para mim e mesma relevância da mesa, não são meus amigos e a identidade deles se resume a serem apenas amigos dele e nada mais.

Não consigo manter minha paz de espírito, o mero fato de estar na mesma mesa não garante que eu esteja inclusa. Cada riso, gargalhada, olhar ou piada me ofende, parece-me que estou excluída da mesa e em ultimo nível da vida deles. Tenho plena consciência de que eles discutem e relembram de coisas das quais não fiz parte, só não sou reduzida a mero objeto, pois eles teimam em me expor como uma conquista do homem ao meu lado.

Pode ser um caso de falta de confiança, eu sei que poderia cooptar a atenção destes homens retirando-os do caldo comum que dividem e me permitindo sorver alguns de seus goles. Não dividi da carne e do vinho, dos segredos e das verdades, da praça e do leito, nem mesmo tenho a vantagem da mulher desconhecida que oferece um mundo de possibilidades.

Paixão e amor romântico convivem e se misturam da mesma forma que um casal se re-apaixona continuamente, sempre encontrando novos desejos para serem saciados, há aqueles que sem nunca terem divido o leito ou terem dado vazão aos seus impulsos têm plena certeza de se amarem. É muita presunção restringir toda a variedade de relacionamentos humanos à procura de um amor que nem podemos definir o que é. Se a felicidade não é deste mundo, isso não nos impede de sorvermos algumas doses de contentamento. Não sei amar como os anjos, mas ainda posso procurar a felicidade e quem poderá dizer que estou errada.

Não permito mais perder-me nas paixões juvenis que turvam o raciocínio. Talvez seja tolice, mas gosto de pensar que em ter um relacionamento que possa controlar. Não sou uma mulher que arrebate corações, meus lábios ressecados de falta de contato anseiam o sopro de vida que aquele homem pode me oferecer.

Dizem que amar é sofrer. Alguns lidam melhor com esta máxima, outros preferem se abster do combate, eu faço parte do segundo tipo, não tenho coragem de arriscar-me em um relacionamento incerto, prefiro apostar minhas fichas em um sentimento que surja naturalmente na convivência. É ai que está minha angustia.

Confiar no florescimento de uma relação, na progressão da amizade para o namoro, da afeição para o amor, não comporta passividade. São necessárias ações constantes de manutenção e aprofundamento da intimidade. Quando estes homens me apartam de sua conversa meus esforços estão sendo desperdiçados. Negam-me a oportunidade de assimilar ainda mais a pessoa amada.

 Sei que o que faço é arriscado, estou sempre na iminência de cair no egoísmo, de tornar este homem em um objeto e me apoderar do que não deve ter dono, tornar-me muito possessiva e deixar de respeitar o tempo e a privacidade que ele precisa para amadurecer seus próprios sentimentos. O que dói mais é que tenho certeza de que já passei do ponto de retorno, só posso pensar que se ao menos ele me chamasse, se ao menos, se...”

Bem, é isso ai. Meu mais longo post, talvez algum dia eu coloque o link do conto completo, ou não.
L.M

domingo, 7 de novembro de 2010

Eu apenas reconheci vocês, caros amigos!

Meus queridos fantasmas...


Ofereço minhas mais sinceras desculpas por abandonar o blog, mas esse começo de fim ano é complicado na vida acadêmica.

Como não sou uma escritora assídua, eu dependo de –breves- momentos de inspiração e devo revelar que até meia hora atrás não tinha idéia nenhuma do que poderia escrever. Então me veio em mente falar de uma força poderosa, na qual ninguém pode escapar para descrevê-la melhor eu poderia usar vários outros nomes e adjetivos, mas prefiro apenas chamar de Amizade.

A brincadeira de pique-rela no recreio era um momento muito oportuno para se fazer amizades, eu me lembro de várias amizades formadas naqueles 15 minutos. O fato de ser a filha da professora mais temida da escola também abriu muitas portas ao mesmo tempo em que fecharam algumas, mas no primário o importante era mesmo ter alguém pra conversar na sala de aula e brincar no recreio...

A medida que vamos crescendo e deixando as brincadeiras do recreio de lado, a amizade vai se formando a partir das afinidades com o outro.A maioria dos amigos mudam com o tempo – e de acordo com nossas mudanças- mas sempre há os melhores, aqueles que mesmo quando você passe de patricinha a uma  gótica puro “rock and roll”, eles continuam te apoiando  e o melhor te entendem sempre!

Se quando acabei o ensino médio eu não consegui pensar o que faria sem aquelas pessoas que via toda manhã (a única coisa que me confortava era que todas aquelas amizades ficariam para sempre) mesmo os vendo de tempos em tempos sei que o sentimento continua o mesmo!

Agora que entrei na faculdade, conheci pessoas fantásticas, no qual minha vida de estudante seria uma tristeza e uma monotonia sem fim. E o sentimento de acabar o curso e não encontrar mais aqueles rostinhos no corredor me assombra, mas o que me conforta é que verdadeiros amigos não se separam, a distância não assusta mais quando o sentimento é maior!

E não querendo ser muito melosa ou sentimental  (apesar de que uma tarde do domingo ajuda ) só queria dizer a todos vocês que me ajudaram a passar por cada obstáculo e  que me acompanharam em cada risada,que  estarão sempre junto comigo em qualquer lugar que eu vá!

E para encerrar, só posso concordar com Vinícius de Morais quando disse:”Não fazemos amigos, reconhecemo-los”

De sua amiga L.C

sábado, 6 de novembro de 2010

Dando fôlego

Estou novamente neste blog para prover às almas cansadas o balsamo de suas aflições, sinto ter-los deixado tanto tempo sem nenhuma novidade. Não oferecerei desculpas por minha ausência e nem posso falar pelo outros colaborados, então vamos ao texto.

Meu post desta semana estava programado para ser uma reflexão sobre o feriado de finados, mas há coisas mais agradáveis a se pensar do que a morte.

Resolvi re-assistir uma obra que me tocou profundamente muitos anos atrás, quando ainda era um estudante do ensino médio, não entrarei em por menores acerca do título, só posso dizer que foi importante para definir quem eu sou. Aproveitando esta oportunidade, me proponho a discorrer sobre a relação que estabelecemos com a ficção.

 Ao entrar em qualquer livraria imediatamente nos deparamos com a mais básica das divisões de gêneros literários a de ficção e não ficção. Um leitor ao abrir um romance já sabe que ele foi inventado porem esta certeza vai se tornando cada vez mais frágil à medida que somos envolvidos pela narrativa. Não significa que o aceitamos como verdade, mais sim como possibilidade.

A heroína trágica sofre na medita exata, os vilões não fazem nada que nós não faríamos em seu lugar e as dores do protagonista ao percorrer sua jornada de auto-descobrimento parece-nos tão próximas como se já tivéssemos percorrido os mesmos caminhos. As maiores licenças poéticas são aquelas que nos fazem pensar que poderiam ter sido imaginadas por nós e se não pudermos conceber nem mesmo a possibilidade do que nos é narrado, o tomamos por falso e repudiamos como devaneio.

O que atrai nos personagens bens construídos, que se perpetuam em nosso imaginário, é que eles são fictícios. Permitimo-nos nos apaixonar pelo herói ou pela heroína, pois sabemos que são individuais, não há ninguém no mundo real que os faça sombra, ao contrário, suas sombras que se projetam sobre os outros. Assenhoreamo-nos dos personagens na medida em que somos capazes de ocupar os seus lugares, definindo seus destinos e os limitado apenas a nossa imaginação.

Que leitor não desejou alterar os caminhos de uma história ou mesmo nos adicionarmos na historia. Sofremos, amamos e lutamos em seus lugares, não porque qualquer um poderia ocupar seus lugares, mas sim porque parecem perfeitos pra serem ocupados por nós.

Voltarei à dama pela qual me apaixonei muitos anos atrás. Mais velho e mais maduro finalmente compreendendo que nunca acharei alguém como ela, mas sim alguma outra individualidade que toque meu coração, com a vantagem de que poderei tocá-la também.

L.C

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O lembrar e suas formas

Tenho percebido que em meus últimos textos eu não me dirigi a ninguém em especial, nem mesmo aos fantasmas que freqüentam este blog, e isto não me agrada. A despeito de a escrita ser uma ótima terapia, não tenho intenção nenhuma de continuar com esta masturbação mental, quero dar um sentido às minhas palavras não as deixando ser mero exercício de erudição, então resolvi escrever para alguém. Escrevo hoje para a senhorita Cruz, alguém que prezo muito e andou meio tristonha, brigando com os amigos e recusando os ombros em que poderia chorar.

Gostaria de dizer-la que as memórias não são algo absoluto, uma verdade inescapável sempre a nos perseguir trazendo tristeza e nostalgia, nos envolvendo em tempos melhores nos quais éramos felizes ou se sofríamos, éramos mais fortes. A dor de agora, tal qual as de antes, nos parece insuperável, mas chegará o dia que será apenas lembrança.

 As memórias nos dizem mais do hoje do que de ontem, é o poder de resignificarmos nosso passado que nos dá controle do futuro, nos tornamos senhores do tempo e das situações.

Saudade é o que sentimos não do tempo, mas da lembrança, aquela colagem de imagens, sons, cheiros e sensações que idealizamos com as necessidades de nosso presente. Nunca podemos afirmar se sentimos a falta que fizemos ou do que pensamos que fizemos. Eu sinto pelos que amores que perdi, pelas declarações que não fiz, as mão que não estendi e por tudo isso que já me imaginei fazendo.

Sentir o que não fez como se tivesse feito é apenas parte essencial do processo de um dia fazê-lo. Não construímos planos para o futuro senão os executados milhares de vezes em nossa mente, cada gesto e palavras cuidadosamente ensaiados esperando para serem postos em prova. A saudade é nada mais do que o reconhecimento da possibilidade limitada apenas pelo nosso querer e ousar.

Tudo que nos resta é aproveitar a vida e quando não agüentarmos mais, não machuca fazer uma loucura, se vestir bem e ir a um restaurante caro, aparecer na faculdade só pra ver o sorriso de alguém, gargalhar no ônibus ouvindo as besteiras de um podcast ou estar de viagem ansiando o retorno as aulas. Loucura não é nada mais que a materialização da parte mais sã de nosso ser, que em cada ato espontâneo encena um teatro pensado por toda uma vida.

Boa Viagem e que carregue com sigo as palavras de seu amigo L.M

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

"Tenho saudade de tudo que ainda não vi!"

Leitores Fantasmas!
Há semanas em que tudo me causa uma grande reflexão...


Hoje estava pensando na minha vida, pensando no rumo que tomou e ate mesmo em alguns planos para o futuro, foi quando um medo tomou conta de mim, um medo assombroso com pitadas de nostalgia... eu tive medo de sentir saudades de tudo o que eu não vivi!

Fazer coisas espontâneas, sair com amigos e esquecer as responsabilidades, pegar um carro e ir pra estrada sem rumo nem nada, cantar e dançar no meio da rua e as pessoas te acompanharem, ver o sol nascer ou se pôr, sair na chuva e dançar, pular... sem pensar no resfriado, se tem gente olhando.Eu sinto falta de tudo isso

Então você, caro fantasma, deve se perguntar: por que você não faz essas coisas?A reposta não é tão simples (e isso me deixa triste), nós vivemos em uma sociedade regada de regras, condutas e responsabilidades... é difícil se desvencilhar de todos esses elementos e simplesmente sair por ai, você ate pode fazer umas dessas coisas algum dia, mas nunca vai conseguir manter um ritmo espontâneo pra sua vida.A sociedade hoje é totalmente planejada e controlada.

Esse pode ser um medo bobo, e que amanhã eu nem sinta mais, mas hoje ( e talvez só por hoje) eu tenho esse medo/saudade,de fazer coisas “leves”, de se perder no tique-taque do relógio e não se importar com o amanhã!

"De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes."

(Índios- Legião Urbana)

Hoje, um pouco melancólica, L.C.

A díade fundamental

A situação da sociedade atual é tão paradoxal que parece não haver nada verticalizado Mas ao olharmos mais atentamente a ela perceberemos não ser bem assim. Dois componentes elementares são facilmente destacados. De um lado temos o sentimento do MEDO a assolar toda a humanidade e doutro, a CONFIANÇA.
O medo pode ser percebido nas relações mais básica com o mundo externo, com os outros homens e com o próprio corpo. Medo da morte, medo da chuva, medo de não ter TV, medo de ficar sozinho, medo de ser rejeitado, medo de ficar no escuro, medo de fantasmas, daí o medo pode ser percebido em todos os níveis da vida do metafísico ao mais empírico.
A confiança por sua vez está escondida nos momentos mais interessantes:: a confiança na pessoa desconhecida que liberou o avião para voar, a confiança de que tudo vai dar certo (em Deus, na mais abstrata  das ideias), a confiança num filho, a confiança nos sentidos, no intelecto, a confiança no outro ao passar tarde da rua por alguém e ter medo de ser assaltado e a confiança de que aquele pessoa também terá medo de você.
É, então, notório as particularidades que cada momento nos oferece. Mas também o é axiomático que cada momento esteja dentro da lógica do Medo-Confiança. Como voar medrosamente e ter a confiança que aquele voo não será o último. Dessa forma, apenas em um momento, você dirá, fora dessa díade é que percebemos não haver a contemplação deles dois: a perda de um amigo, de uma pessoa querida, de um amor, de algo valioso material ou não. Não digo a respeito da morte, pois é uma batalha evidentemente perdida, destarte não há medo ou esperança nela. Dante tentara...
O sentimento de perda advém do pressuposto que algo já é pertencente ao ser. Creio que se aguçou na era capitalista, obviamente numa dinânima entre a propriedade e o ser. Daí, uma terceira percepção  que vai além da díade Medo-confiança fica as claras. Onde situá-lo? por que está além? O sentimento de perda por sua vez tratará de mostrarnos que não passa de uma relação entre medo-confiança, em que estes não se combinam na mente humana. A perda é a falta de confiança do ser em si, assim como a perda também é o medo da solidão do ser em si. Por que precisamos de outra pessoa? Está pergunta é chave para entendermos que o homem moderno introjetou tão profundamente tal díade em seu espirito que não conseguirá jamais libertar-se. A necessidade de outrem é a necessidade ou do medo de outra pessoa, ou da confiança de outra pessoa. Vide os nossos herois que tem medo de seus vilões e necessitam desse contrasenso para lugar, vide os amantes que traem, mas confiam na palavra alheia.
Em suma, a vida moderna pode ser resumidade em medo e confiança. Medo de si e confiança de si, medo do outro e confiança do outro, medo do mundo  e confiança no mundo.

O ÚNICO