quarta-feira, 20 de abril de 2011

De repente!

Trancafiada em seu quarto, sabia que o fim estava próximo.
Jamais deixou que isso a abalasse, no inverso da cousa, lutou contra tudo.
Mas foi vencida pela vontade daquele que a tudo se deve. Acabara por aceitar sua condição de pré-morte.
Esmaecida e sem forças decide usar aquilo que ainda estava bem, a mente.
O exercício da mente era sua tarefa final: rememorar cronologicamente a vida.
Relembrar a pouca vida que lhe foi dada para viver.
De olhos fechados e com sol a bater sobre seu rosto fez do vermelho das pálpebras as cortinas de seu teatro.
Percebera de início que Deus tirou-lhe tudo que era material, mas deixou intácto e conservado todo o pensar e sentir. Agradeceu-Lhe por isso. Ali estava completamente viva. Ali era criança, adolescente e adulta ao mesmo tempo, sem lógica. A peça era sua, a plateia e a protagonista eram ela, somente ela. Não havia segredos ou falsidades...

"Viver das lembranças é como estar num vazio sem fim, não há perspectiva de nada, tampouco sentido", refletira.
Entristecida, estava a chorar sobre os lençois manchados de sua cama, queria a materialidade das coisas para ter o impulso do pensar, do sentir, da memória, das paixóes.
Os gostos, os sentidos, os cheiros, eram fracos e insossos, naquele mundo.
Desamparada. Sua mente deixara-lhe, sozinha.
Ela, a dor, a saudade do futuro partir, o medo, eram um só, agora.
Toda a aceitação anterior fora-lhe tirada.
E nada pode fazer.
Passaram-se dias e noites.
O choro e dor eram sua única reação ao mundo sensível.

"Nada, nada irá tirar-me deste mundo. A vida após a morte é vácuo."
Sua luta era contra o corpo já morto a prendê-la.
A ininteligibilidade da realidade era-lhe presente naquela noite.
A mente arrastava-lhe para o poço, onde as lamentações são insensíveis.
O suor do corpo febril deu lugar a frieza do sangue parado.
O último suspiro fora seu último alento.

A mente por sua vez, materializou-se.
E a ela apareceu. Nela fez sentir todas as boas coisas. Tudo estava brilhando e vívido.
De repente, a noite virou sol e do clarão dourado a emanar de todo o quarto via-se a mão do seu criador a tocar-lhe a fronte.
Ela renasceu naquela noite...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Palavras que já não acredito.

Minha razão de tudo um dia foi você.
Aquele nosso amor que acabou tão triste.

Paráfrases de um Rei, de um Rei solitário.
Imerso na imensidão do castelo
A fortaleza escura e mal cheirosa,
as sombras dançam o ritmo das velas
ao som do vento a soprar.
Oh! Rei. A majestade na Terra, a coroa dourada
não lhe findou os desejos.
Conquistou as terras, os continentes, os mares.
Mas não conquistou o coração irracional.
O amor, sua final busca, recusou-se a entregar-se, mesmo sob a ponta da espada.
Lá estava o Rei, dono mundo, sozinho.
Como a chama que consome as coisas, mas não consome as cinzas.
Com o mundo à seus pés, o Rei caminhou sobre ele, os rios ficaram vermelhos e viscosos.
Os céus choraram, os corpos apodreciam. O Rei era o fogo a transformar tudo em cinzas.
As cinzas permaneciam, eram tudo aquilo que o Rei não possuía.

Sozinho em seu leito de morte, o Rei chorou, suspirou e recordou as batalhas, o sangue e as conquistas. Percebeu que sua única derrota foi para o amor. Recusou-se sob sua espada.
No último suspiro desejou conquistá-lo...
O Rei não deixou herdeiros.

domingo, 10 de abril de 2011

A perda de tempos atrás!

Observando o andar impassível das massas, homens angustiados tiraram dos céus o termo revolução e o atribuíram a maré humana. Única força humana que não pode ser parada, que não responde a rei nem lei, apenas aos apetites vorazes dos estropiados e a ganância dos encamisados. 

Coloco-me só diante da massa, armado apenas com a força dos loucos, desconhecendo o perigo, rindo do bem e do mal.

Estive lutando por conta própria, mas agora não estou sozinho! Tenho uma multidão escondida nos cantos escuros de minha mente. São sonhos! Pesadelos! Esperanças! Somos eu e você... uma revolução!

Medeiros do contra-ataque

sábado, 9 de abril de 2011

Perder e deixar ir.

Percorrer os caminhos...
Escalar a montanha..
Correr... e nunca olhar para trás.
Nunca dizer adeus. Não queria ficar condenado a ter recordações.

No outono de 2009, eu era você, mas você ainda não era eu.
Nossos caminhos encruzilhados, bifurcaram no horizante, onde fui lhe procurar.

Hoje, nesse vazio a me corroer, nada posso prometer. A não ser deixar você partir, mas não deixarei que olhe para trás, pois me verá chorando. As lágrimas... as lágrimas queimam meu rosto, meus olhos são enchentes a inundar as ruas tristes, ondes o carros estão entravados e as velhas senhoras pedem misericódia.

Deixe-me sentir. Sentir seu cheiro, seu sabor... o gosto de tudo. Éramos um, hoje nada somos. Nada.

Todo aquele Rock...

Ser uma menina de cidade pequena, que tem sonhos grandes como o de ser diferente de toda aquela lógica, dificilmente é compreendida, muitas vezes é taxada de idiota,estranha, anti-social, alienada e outros “maravilhosos” apelidos.....




Quando tinha uns 14/15 anos descobri um tipo de música, que segundo a minha mãe só marginais e drogados escutavam: o rock. Lembro-me que a primeira música “pesada” que ouvi foi “Iron Man” do Black Sabbat, eu me apaixonei por aqueles cabeludos com cara de poucos amigos...

As pessoas que me apresentaram esse “mundo” eram meias que excluídas das grandes conversas da sala e dos maiores agitos que ocorria na cidade (que ate hoje é voltado pro sertanejo).Andar com essas pessoas, tinha uma regra básica: andar de preto.Revirava todas as manhãs o meu guarda roupa atrás de calças pretas e passava um lápis de olho fortíssimo no olho.Rock na veia (era assim que assina meu nome nas coisas ,100% Rock na veia)

Andar com essas pessoas era um ato de rebeldia, primeiro naquele mundinho da escola, éramos os temidos ou esquecidos e nem segundo em casa, aonde fazia pose de rebelde (sem causa) em tudo.

 Quase todas as sextas-feiras á tarde íamos à casa de uma menina escutar músicas e depois discutimos o som daquelas bandas.Como grupo, nosso principal passatempo, era ficar todo sábado a noite na praça principal da cidade e ficar conversando (lógico que eu precisava voltar pra casa as 10:30 da noite, mas pra mim isso era a noite inteira)

Ate que um dia eu ouvi “Smeels Like Teen Spirit” do Nirvana e ai foi amor a primeira ouvida por Kurt Cobain, a partir daquele momento tudo pra mim girava em torno dessa banda. Logo descobri que o Kurt havia morrido em 94, fiquei triste ao perceber que todas as possíveis histórias que como nos encontraríamos (e apaixonaríamos) não tinham chance nenhuma de conhecer ..... mas eu sobrevivi.Troquei as roupas pretas por camisas (grandes) xadrez de flanela, rasgava minhas calças jeans com lixa de unha e comecei a usar all star, podia estar o maior calor mas eu estava com minha blusa xadrez verde(e de mangas compridas) me achando a “tal”.

Quando mudei de escola, o impacto foi grande, ninguém ali se vestia todo de preto ou blusas de flanela em pleno sol quente....foi mudando as poucos, usando roupas mais “normais” como diria minha mãe, deixei a blusa xadrez de  lado, mas ainda usava algumas blusas do nirvana(bom uso ate hoje)

Essa historia toda é só minha singela homenagem a morte de Kurt; afinal são 17 anos sem esse incrível gênio. Hoje em dia podem me chamar de careta, mas perdi bastante daquele ar rebelde e meio dark. Sou bem mais pop por assim dizer. Mas continuo lembrando dessa época com muita saudade e nunca esquecerei as lições que o rock and roll me deu.



Paz, Amor e Empatia....pra você também querido






Da L.C., a eterna grunge

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O Turista

Pés descalços sobre pálida areia. A rítmica dança das ondas apagavam, a cada passo, seus rastros.
Caminhou por toda a borda, sempre vigiado pelo sol.
Taciturno, desviava sempre dos polígnos hexagonais, octogonais, coloridos e dos pesos mortos estirados sobre toalhas toscas.
"Tudo está no seu devido lugar", pensou.
Sentou-se, enfim. Ali mesmo sobre as rochas cintilantes, ao fim da caminhada.
Numa mão seu velho chapeu Panamá; noutra, caneta e bloco.
Pôs-se a refletir:
"Pode o homem ser feliz? Pode o homem amar a todas as coisas na sua plenitude?
É o amor dádiva divina, ou mera reprodução de nossas falhas libidinais?"
Imerso na profundeza de sua alma, deixou-se levar pela brisa e risos agudos das crianças que ali brincavam.
Nada encontrou.

Inesperadamente volta a realidade. De olhos arregalados como a procurar respostas nos grãos à seus pés. Percebera que na sua imprópria misantropia nada poderia encontrar.
Ao horizonte, o guardião das cores se pora.
Agora tudo era cinza, negro, fosco, opaco ou amarelo borrado. As luzes das ruas e das casas transformaram-se em raios esparsos a cegar-lhe, falsa ilusão de sol.
Mas era nesse improbo momento que veio à tona todas suas respostas.

Caminhava lentamente a caminho de casa. Quando a sua frente surge uma figura mascarada, monstruosa e de voz gutural. Aos berros sacou a única cor que naquela densa noite brilhara. O frio da cor, a frieza do coração se misturaram ao seu inverso de suor e lágrimas.
"deixe-me em paz, tome meu dinheiro, meu chapeu..."
O assassíno colocou-o de bruços. Desesperadamente a procura de seus bolsos a tirar-lhe todos os possíveis pertences.

Um estouro!

NUM MOMENTO DE CLAREZA
"Amigos ou inimigos, velhos ou novos, astutos ou idiotas, somos todos iguais no fim"
Às vezes acordo no meio da noite. Apenas para ter certeza de que você ainda está lá, ao meu lado. Sua respiração, seus lábios, nosso amor, são meu sol, a iluminar-me pela eternidade.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A existência

Desfragmentado e insólito. Este era o homem a viver em condições e dimensões singulares.
Em sua desconstrução do tudo e de todos a única solidez em seu mundo era ele próprio.
Vivia entre a poeira de minúsculas particulas e a infinitude de especificidades que ele mesmo construiu.
Seu mundo era vazio (se é que podemos pensar em mundo aqui, algo tão concreto) e nada sólido, perdia-se na escuridão do espaço.
As palavras, os sons, os sonhos, as coisas para se verem já não existiam. Faziam parte do todo desconstruido.
Era mudo, não ouvia, não sonhava. Em tudo que tocava virava pó e não ouro bruto.
Rebelou-se.
Trancafiou-se por muito tempo naquilo que podemos chamar de casa e por lá ficou por anos e anos.
Quando percebeu o que fizera resolveu desfazer e reconstruir as coisas do mundo e a própria Terra.
Botou as areias nas praias, os sons nas bocas, os olhos na face e os discursos nas mentes.
O fizera incansavelmente durante seis dias e no sétimo descansou.
Voltou para sua casa, agora firme e sólida, e por lá permaneceu durante anos.
Tempos depois ganhou coragem e resolveu sair, ver as pessoas, as gentes, as multidões.
Rever seu trabalho.
Ao caminhar percebeu algo estranho, todos aqueles que passavam por ele não o comprimentavam, ignoravam-o, apesar dos "bom dia" e "como vai?"... ninguém o viu.
De frente a uma loja espelhada parou e olhou. Olhou, olhou, olhou e nada pode ver...
Era ele agora o pó, a poeira, a sujeira das quinas e sarjetas...
Era ele agora o infinito.
Jamais tornou a existir.