segunda-feira, 4 de julho de 2011

Os instrumentos da história


Nos últimos tempos eu venho me preocupando em complementar minha educação acadêmica básica, suprir aqueles primeiros anos de faculdade, nos quais não me apliquei muito. Neste esforço hercúleo estou descobrindo muitos conceitos novos, fruto do trabalho de gerações de bons e medíocres historiadores que cunharam seus instrumentos de trabalho. E no meio desta confusão técnica, epilética, bélica alguns com mais lábia ou contatos disseminaram suas idéias entre hostes de entusiasmados estudantes e fertilizando-os fizeram crescer frondosas arvores conceituais.

Grandes e inspiradas revelações nunca viram a luz e morreram com seus criadores, tendo como ultimo local de desanco um sebo qualquer, onde se alimentam de poeira e esperança.

Gostaria de falar de uma das mais bem lapidadas instituições da vida humana, apanhada num fugaz momento de embriagues por um iluminado anônimo que lá mesmo sentado em um tamborete a pregou para as faces vermelhas e sorridentes que o circundava. E foi solto no mundo um manancial de verdades, que como fétido gás propagou-se na velocidade do espanto. E todos que tiveram contato com tal revelação a acolheram em seu intimo, pois sabiam que era real e agora podiam nomeá-la.

Instaurou-se a era do cagaço!

E tendo  não podido segurar o que prendiam, puseram-se a fazer conjecturas e elevaram aos céus novos e reluzentes motores da história. Ela, a História, como moça brava que não agüenta um chiste, sentiu-se desmoralizada, pois era tratada com os termos vulgares dos brutos e não com as palavras bonitas dos pedantes. Deu-se a fim e em um rápido clarão sua resposta, todos que a ouviram ficaram catatônicos, pois bela era sua voz, mas também incompreensível, pois a verdade sempre foi velada aos homens, e por boas razões.

Mas dizem os historiadores que naquela multidão de novos lazarentos, não se encontrou uma pessoa que não tivesse nos lábios um sorriso escarrado.



À todos os  condes das esquinas e viscondes dos cruzamentos, que buscam se aquecer nesta noite de inverno.

Lucas de Sousa Medeiros

domingo, 3 de julho de 2011

Não é justo

Eu te mostro todos meus medos e você os espanta
Eu te mostro minhas dores e você as tira de mim
Eu mostro meus piores traumas e você apenas me abraça....
E todo dia eu te mostro minha dependência por você, e você a aumenta!








(Eu nunca soube o que fazer)



LC

sexta-feira, 1 de julho de 2011

sempre foi assim

Mais nada disso pode ser chamado de força ou coragem,querido.....
Eu apenas sei mentir muito bem

(anos de prática)


Aqui

Eu achei melhor colocar a culpa no tempo, no trabalho e ate mesmo em você, mas entenda é duro demais olhar no espelho e encarar a verdade!Eu não conseguia mais olhar pra dentro de mim, talvez seja medo de encontrar velhos medos, as novas inseguranças.....mas agora eu vou ate o fim!



Eu nunca abandonei vocês,caros fantasmas, eu apenas me ceguei por um tempo!



Da velha conhecida,L.C

quarta-feira, 29 de junho de 2011

As letras como futuro

O mais difícil em retomar algo que se tenha abandonado uma vez é fazê-lo temendo abandoná-lo novamente. Escrever para mim não era um prazer, não era terapia e muito menos uma necessidade, escrever era um ato de sociabilidade.

A gana de ser ouvido é inerente a todo ser pensante, inevitavelmente cobiçamos os ouvidos alheios e orgulhosamente despejamos neles nossos erros, falsos conceitos e filosofias de boteco, e nos sentimos bem com isso. Mais importante, nos sentimos como que parte de uma comunidade, unidos pela leitura de um alguém, a confraria do texto da semana. Não é o caso de ser o objeto de discussão, contentava-me em elogiar um aqui, criticar outro ali e ir construindo aqueles invisíveis laços de obrigação que levam alguém a retribuir o favor quando for você a pessoa lida.

É disso que eu sinto falta. Deixei de ser um escritor, membro ativo e rebaixei-me a mero leitor. Minhas criticas esvaziaram-se, pois não poderia fazer melhor e meus elogios ficaram frios, pois me esqueci como de é duro tentar. Um dito popular diz que “críticos são aqueles que queriam ser escritores, mas não tinham talento suficiente”, tenho de confessar que não acredito na parte do talento, mas o substituiria de bom grato por vontade.

Agora que almejo voltar à sociedade, sou tomado pelo medo, como um arrivista em meio a aristocracia, fazendo o seu melhor para emular um comportamento inconsciente naqueles que o julgam com o olhar. Fico todo “cheio de dedos”, sutilezas e meios sorrisos, e percebo como a incerteza torna os bravos em covardes, mas oferece uma chance de superar o passado.

As letras mortas dos escribas e fariseus hoje só interessam a pedantes teólogos, é na forma viva de nosso tempo que se formam os mitos e as palavras nas bocas de nossos jovens. Fui velho e parte de mim pertence ao passado, de cidades frias e sociedades mortas. Não é suficiente voltar a freqüentar os mesmos lugares, ser lido pelas mesmas pessoas, para superar o passado é preciso almejar um futuro.

Hoje escrevo, sem saber do amanhã.

Lucas Medeiros

Avançando em caminhos fechados!

Hoje, enquanto me preparava para agüentar com hombridade outro golpe do destino, resolvi matar o tempo passando o olho nos blogs de alguns conhecidos e me deparei com fortaleza.

 Por detrás de palavras em fundo vermelho ofuscante eu vi uma luta desesperada. 

Tomei-lhe os dedos calejados e machucados da batalha e os coloquei para escrever em minha alma. Cada martelada no teclado fazia ressoar uma fibra amortecida de meu coração, e como um piano velho passei a emitir vontade e poeira.

Senti-me com humor para remexer em territórios interditados.
...
Há algum tempo atrás, numa tarde torpe, me interpelaram em um comunicador instantâneo com o esdrúxulo pedido de nomear um blog. Como eu poderia fazê-lo? Não tinha competência alguma em nomear coisas; até o nome do meu cachorro era referência a um personagem de vídeo-game!

Mas um nome é uma identificação, é o fruto de um exercício diário de se compreender o mundo, é o caminho de pão que guia na floresta. Como todos, eu sou um nomeador, domino os instrumentos desta arte e nunca poderia me desviar do desafio proposto.

Sem querer vaticinei o destino do blog.

Batizei-lhe “Valeu à tentativa”, e junto de duas almas da maior grandeza pus-me a trabalhar. Naquele pequeno porem confortável lugar, dei vazão a pulsões extremamente controladas de minha alma, afinal de contas é um blog e não um divã.

Hoje, consciente do peso de minhas ações, percebo o papel encenado no início e no fim desta empresa. Fui o primeiro a abandonar o barco e remar até as praias tranqüilas da mordaz rotina... e assumo minha culpa. 

Agora que encho a boca para pronunciar a fina ironia da expressão “valeu à tentativa”, perguntando-me se tirei algo da experiência.

 Tais reflexões atiçam algo em meu ser e como uma lágrima, que percorrendo os canais áridos da fronte sofrida busca um caminho para escorrer, eu recito meu testemunho em grafismos digitais.

Acho que deu saudade... principalmente saudade.

Lucas Medeiros

sábado, 14 de maio de 2011

Em todas as ruas

Quando andei sobre seu caminho, refiz seus passos, refutei expectativas, reaprendi a caminhar de modo que jamais vou me esquecer.
Um caminho que pode ser descrito como impuro.
Impuro na sua beleza, na sua essência, na sua forma.
Diferente dos demais caminhos que já passei, era possível enxergar o horizonte, ainda que ofuscado pelo calor que emanava do chão quente a criar miragens, que aos poucos foram aniquilidando meu eu. Mas, havia ali um fim, um desejo a ser comtemplado e conquistado. Esse desejo estava no caminho, estava no caminhar, estava no sonhar.
Quantos dias foram precisos? Não sei. Talvez, meses e anos não foram suficientes para que o caminho fosse completado, mas isso não foi probema. Pois, o horizonte, ou o fim, estava em cada passo dado.
Seu caminho ensinou-me a querer ser mais e nesse mais percebi as coisas que menos interessavam-me.
Era um caminho de extremos, tinha seus buracos, suas curvas, suas falhas, era concreto. Mas, também, tinha a profundidade de um infinito a perder de vista como quando caminhamos com os olhos fechado, estáticos. A mesma intensidade da escuridão das pálpebras a vir da mente.

Eu refiz esse caminho a meu modo.
Eu persegui seus rastros.
Era seu rosto que eu procurava.
Ao fim da caminhada percebi que todo o caminho que refiz era de fato um rumo novo.
Um caminho só meu, com sonhos e buracos que só eu sonhei e desviei ou, eventualmente, caí.
Era um caminho meu, mas com o norte a apontar sempre ao horizonte, que sempre foi e será você.
É sua face que procuro em todas ruas.