sábado, 6 de novembro de 2010

Dando fôlego

Estou novamente neste blog para prover às almas cansadas o balsamo de suas aflições, sinto ter-los deixado tanto tempo sem nenhuma novidade. Não oferecerei desculpas por minha ausência e nem posso falar pelo outros colaborados, então vamos ao texto.

Meu post desta semana estava programado para ser uma reflexão sobre o feriado de finados, mas há coisas mais agradáveis a se pensar do que a morte.

Resolvi re-assistir uma obra que me tocou profundamente muitos anos atrás, quando ainda era um estudante do ensino médio, não entrarei em por menores acerca do título, só posso dizer que foi importante para definir quem eu sou. Aproveitando esta oportunidade, me proponho a discorrer sobre a relação que estabelecemos com a ficção.

 Ao entrar em qualquer livraria imediatamente nos deparamos com a mais básica das divisões de gêneros literários a de ficção e não ficção. Um leitor ao abrir um romance já sabe que ele foi inventado porem esta certeza vai se tornando cada vez mais frágil à medida que somos envolvidos pela narrativa. Não significa que o aceitamos como verdade, mais sim como possibilidade.

A heroína trágica sofre na medita exata, os vilões não fazem nada que nós não faríamos em seu lugar e as dores do protagonista ao percorrer sua jornada de auto-descobrimento parece-nos tão próximas como se já tivéssemos percorrido os mesmos caminhos. As maiores licenças poéticas são aquelas que nos fazem pensar que poderiam ter sido imaginadas por nós e se não pudermos conceber nem mesmo a possibilidade do que nos é narrado, o tomamos por falso e repudiamos como devaneio.

O que atrai nos personagens bens construídos, que se perpetuam em nosso imaginário, é que eles são fictícios. Permitimo-nos nos apaixonar pelo herói ou pela heroína, pois sabemos que são individuais, não há ninguém no mundo real que os faça sombra, ao contrário, suas sombras que se projetam sobre os outros. Assenhoreamo-nos dos personagens na medida em que somos capazes de ocupar os seus lugares, definindo seus destinos e os limitado apenas a nossa imaginação.

Que leitor não desejou alterar os caminhos de uma história ou mesmo nos adicionarmos na historia. Sofremos, amamos e lutamos em seus lugares, não porque qualquer um poderia ocupar seus lugares, mas sim porque parecem perfeitos pra serem ocupados por nós.

Voltarei à dama pela qual me apaixonei muitos anos atrás. Mais velho e mais maduro finalmente compreendendo que nunca acharei alguém como ela, mas sim alguma outra individualidade que toque meu coração, com a vantagem de que poderei tocá-la também.

L.C

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O lembrar e suas formas

Tenho percebido que em meus últimos textos eu não me dirigi a ninguém em especial, nem mesmo aos fantasmas que freqüentam este blog, e isto não me agrada. A despeito de a escrita ser uma ótima terapia, não tenho intenção nenhuma de continuar com esta masturbação mental, quero dar um sentido às minhas palavras não as deixando ser mero exercício de erudição, então resolvi escrever para alguém. Escrevo hoje para a senhorita Cruz, alguém que prezo muito e andou meio tristonha, brigando com os amigos e recusando os ombros em que poderia chorar.

Gostaria de dizer-la que as memórias não são algo absoluto, uma verdade inescapável sempre a nos perseguir trazendo tristeza e nostalgia, nos envolvendo em tempos melhores nos quais éramos felizes ou se sofríamos, éramos mais fortes. A dor de agora, tal qual as de antes, nos parece insuperável, mas chegará o dia que será apenas lembrança.

 As memórias nos dizem mais do hoje do que de ontem, é o poder de resignificarmos nosso passado que nos dá controle do futuro, nos tornamos senhores do tempo e das situações.

Saudade é o que sentimos não do tempo, mas da lembrança, aquela colagem de imagens, sons, cheiros e sensações que idealizamos com as necessidades de nosso presente. Nunca podemos afirmar se sentimos a falta que fizemos ou do que pensamos que fizemos. Eu sinto pelos que amores que perdi, pelas declarações que não fiz, as mão que não estendi e por tudo isso que já me imaginei fazendo.

Sentir o que não fez como se tivesse feito é apenas parte essencial do processo de um dia fazê-lo. Não construímos planos para o futuro senão os executados milhares de vezes em nossa mente, cada gesto e palavras cuidadosamente ensaiados esperando para serem postos em prova. A saudade é nada mais do que o reconhecimento da possibilidade limitada apenas pelo nosso querer e ousar.

Tudo que nos resta é aproveitar a vida e quando não agüentarmos mais, não machuca fazer uma loucura, se vestir bem e ir a um restaurante caro, aparecer na faculdade só pra ver o sorriso de alguém, gargalhar no ônibus ouvindo as besteiras de um podcast ou estar de viagem ansiando o retorno as aulas. Loucura não é nada mais que a materialização da parte mais sã de nosso ser, que em cada ato espontâneo encena um teatro pensado por toda uma vida.

Boa Viagem e que carregue com sigo as palavras de seu amigo L.M

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

"Tenho saudade de tudo que ainda não vi!"

Leitores Fantasmas!
Há semanas em que tudo me causa uma grande reflexão...


Hoje estava pensando na minha vida, pensando no rumo que tomou e ate mesmo em alguns planos para o futuro, foi quando um medo tomou conta de mim, um medo assombroso com pitadas de nostalgia... eu tive medo de sentir saudades de tudo o que eu não vivi!

Fazer coisas espontâneas, sair com amigos e esquecer as responsabilidades, pegar um carro e ir pra estrada sem rumo nem nada, cantar e dançar no meio da rua e as pessoas te acompanharem, ver o sol nascer ou se pôr, sair na chuva e dançar, pular... sem pensar no resfriado, se tem gente olhando.Eu sinto falta de tudo isso

Então você, caro fantasma, deve se perguntar: por que você não faz essas coisas?A reposta não é tão simples (e isso me deixa triste), nós vivemos em uma sociedade regada de regras, condutas e responsabilidades... é difícil se desvencilhar de todos esses elementos e simplesmente sair por ai, você ate pode fazer umas dessas coisas algum dia, mas nunca vai conseguir manter um ritmo espontâneo pra sua vida.A sociedade hoje é totalmente planejada e controlada.

Esse pode ser um medo bobo, e que amanhã eu nem sinta mais, mas hoje ( e talvez só por hoje) eu tenho esse medo/saudade,de fazer coisas “leves”, de se perder no tique-taque do relógio e não se importar com o amanhã!

"De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes."

(Índios- Legião Urbana)

Hoje, um pouco melancólica, L.C.

A díade fundamental

A situação da sociedade atual é tão paradoxal que parece não haver nada verticalizado Mas ao olharmos mais atentamente a ela perceberemos não ser bem assim. Dois componentes elementares são facilmente destacados. De um lado temos o sentimento do MEDO a assolar toda a humanidade e doutro, a CONFIANÇA.
O medo pode ser percebido nas relações mais básica com o mundo externo, com os outros homens e com o próprio corpo. Medo da morte, medo da chuva, medo de não ter TV, medo de ficar sozinho, medo de ser rejeitado, medo de ficar no escuro, medo de fantasmas, daí o medo pode ser percebido em todos os níveis da vida do metafísico ao mais empírico.
A confiança por sua vez está escondida nos momentos mais interessantes:: a confiança na pessoa desconhecida que liberou o avião para voar, a confiança de que tudo vai dar certo (em Deus, na mais abstrata  das ideias), a confiança num filho, a confiança nos sentidos, no intelecto, a confiança no outro ao passar tarde da rua por alguém e ter medo de ser assaltado e a confiança de que aquele pessoa também terá medo de você.
É, então, notório as particularidades que cada momento nos oferece. Mas também o é axiomático que cada momento esteja dentro da lógica do Medo-Confiança. Como voar medrosamente e ter a confiança que aquele voo não será o último. Dessa forma, apenas em um momento, você dirá, fora dessa díade é que percebemos não haver a contemplação deles dois: a perda de um amigo, de uma pessoa querida, de um amor, de algo valioso material ou não. Não digo a respeito da morte, pois é uma batalha evidentemente perdida, destarte não há medo ou esperança nela. Dante tentara...
O sentimento de perda advém do pressuposto que algo já é pertencente ao ser. Creio que se aguçou na era capitalista, obviamente numa dinânima entre a propriedade e o ser. Daí, uma terceira percepção  que vai além da díade Medo-confiança fica as claras. Onde situá-lo? por que está além? O sentimento de perda por sua vez tratará de mostrarnos que não passa de uma relação entre medo-confiança, em que estes não se combinam na mente humana. A perda é a falta de confiança do ser em si, assim como a perda também é o medo da solidão do ser em si. Por que precisamos de outra pessoa? Está pergunta é chave para entendermos que o homem moderno introjetou tão profundamente tal díade em seu espirito que não conseguirá jamais libertar-se. A necessidade de outrem é a necessidade ou do medo de outra pessoa, ou da confiança de outra pessoa. Vide os nossos herois que tem medo de seus vilões e necessitam desse contrasenso para lugar, vide os amantes que traem, mas confiam na palavra alheia.
Em suma, a vida moderna pode ser resumidade em medo e confiança. Medo de si e confiança de si, medo do outro e confiança do outro, medo do mundo  e confiança no mundo.

O ÚNICO

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

"Eu estava aqui o tempo todo, só vc não viu."

Há uma maneira apenas de percebermos que somos dotados de uma inteligência superior às dos animais. O sofrimento do coração.
Através do único sentimento que nos nivela enquanto ocidentais - o amor -, o homem se descobre no sofrimento, na felicidade.
O sentimento de culpa inerente aos cristãos e àqueles que se julgam não cristãos traz consigo o motor de nossa história. O homem vive porque sofre. Continua  a evitar os desprazeres a todo custo. O amor é a sua principal saída.

Quando amei pela primeira vez, tive a sensação de ter encontrado algo novo e infalível. "amarei essa pessoa pra sempre." Mas o tempo foi passando e percebi que as coisas não perduraram como pretendera. Sofri com meu egoísmo de não a querer mais. A busca pela felicidade me fez encontrar outros amores. Mas em todos fali miseravelmente em conseguir manter-me amando.
Do contrário, quando meu amor não foi correspondido, sofri amargamente a falta de sintonia entre o mundo e eu fora quebrada.
A sensação de abandono e desilusão tomaram conta de mim. "Cansei de chorar de feridas que não se fecham e não se curam."
Sei pela dor que vivo.




O ÚNICO, que sofre.

sábado, 23 de outubro de 2010

Mormaço


Caros leitores, se é que existe algum.

Outrora eu escrevi para uso pessoal uma série de pequenos contos temáticos acerca do clima, hoje pretendo dividir com vocês uma pequena reflexão sobre o pós-chuva.

Como a maioria das pessoas, meu humor é afetado pelo clima, nada muito passional, todavia é inegável que este exerce alguma influência que extrapola às pequenas mudanças em nossa rotina, causadas pela chuva ou calor abrasante.

Muito já foi dito sobre a chuva e qualquer pessoa conta com grande quantidade de referências ligadas a uma visão da chuva. Ela é bucólica, dá o tom triste na melodia dos dias, também é  épico, um  evento em larga escala que nos foge ao controle, esperada e temida, se faz indispensável a qualquer representação de batalha, do cinema e literatura, como se Deus quisesse fazer-se presente no destino abaixo das nuvens.

Mas não é minha proposta falar da chuva, pretendo aqui tratar do acontece após seu termino, em uma situação bem especifica que nada tem a ver com campos de batalha encharcados de água e sangue. Invoco as chuvas de verão, rápidas e ferozes, tentando engolir o mundo e prenunciando o fim em água, para logo depois sumir tão rapidamente quanto veio. São estas chuvas de novembro a fevereiro que compõem esta narrativa, pois após sua fugaz vivência elas deixam no ar uma sensação especifica conhecida por mormaço.

É uma sensação que não restringe a percepção do corpo, é mental e simbólica, fundamentalmente metafórica. Ela puxa elementos de sua memória para construir seu sentido, no meu caso, lembra o mar. Eu não sou levado ao mar, mas sim ele que vem até mim. Sem a  restrição pelas bordas da praia ele se apresenta agigantado e poderoso, suprindo o homem que engolfa.

O suor provê o sal a este mar, na medida em que a umidade penetra em todas as partes do corpo. Os movimentos encontram uma resistência invisível, tal qual um mergulhador que para mover-se tem de vencer a força da água que tende a imobilizá-lo. Os músculos e a vontade são anestesiados, sentimo-nos afogados enquanto somos arremessados nas rochas das obrigações que, impassíveis ao nosso sofrimento, demandam serem compridas.

A chuva é melancólica, mas lava as dores e renova o espírito. O pós-chuva é momento de reflexão, no qual é posto um mundo de possibilidades e você se perde a contemplá-las, sem conseguir escolher se segue os restos do arco-íris  a desaparecer no horizonte, ou se acolhe a vida, um pouco menos árida. Na maioria das vezes apenas continuamos sendo cozidos em fogo brando, recolhidos em nossa preguiça, confiando que amanhã choverá novamente.

No mormaço, L.M

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

(não) Vale Tentar

Alô Alô Fantasmas...


Já perceberão que as coisas estão quentes nesse blog, todos decidiram escrever sobre a verdade nua e crua que nos ronda (e poucos querem ver)

Hoje, deixo meu papel de escrever sobre a abstração das coisas, pra também falar dessa realidade que cada vez mais se torna uma selva revestida de polidez e educação.

Segundo o dicionário Michaelis a palavra ética significa: “1 Parte da Filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana. É ciência normativa que serve de base à filosofia prática. 2 Conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão; deontologia.”.Agora pergunta a vocês, caros fantasmas, o que é ser ético?O que é exerce - lá no cotidiano?

Ser ético tem relação com uma palavra:  Ilusão. Nós, pequenos grandes seres humanos, somos sedentos por confianças, queremos confiança e damos confiança. Quando ouvimos um discurso demagogo ético ficamos encantados e damos, cegos por um desejo libertador, a confiança a uma pessoa que nem conhecemos totalmente para saber se merece tal ato, passamos a adorá-la e a citá-la nas nossas rodas de amigos, uma verdadeira adoração platônica.

A confiança esta ligada a ilusão, queremos acretidar a todo o momento que a aquela pessoa não tem erros, a maior ilusão é quando acreditamos, sinceramente, que a postura que o individuo tem no seu profissional é a mesma nas escolhas feitas no dia a dia, no seu pessoal. A ilusão é desmanchada quando descobrimos que a tal pessoa nada mais é que um mero peão nesse jogo de xadrez, aonde só os poderosos podem jogar.

Com a minha pouca experiência nesse jogo (na verdade não sei jogar, talvez também seja mais um peão manipulado) eu digo que não podemos ter a ignorância de pensar que estamos fora desse jogo ou que outras pessoas estão fora.È impossível estar fora de um jogo de xadrez, talvez só você não saiba que esta dentro.

Pessoas mentem, usam de uma ética ideológica, para nos prenderem em um mundo ilusório, aonde achamos que tudo caminha bem.Confiança não é nada para pessoas, que fazem de outras meros peões, seus exércitos particulares para aumentar seu ego ferroz.

Como disse, não sei jogar, mas em determinada hora terei que me submeter a regras que não acho justo, a usar de uma ética na qual não acredito e a usar da confiança de pessoas menores que eu. Eu vou me vender para o jogo, por mais otimista que seja eu sei que ser da resistência é não ter opinião ou não querer enxergar a realidade e entre se fazer de morta ou cega, é preferível jogar e esperar que eu ganhe muito com a minha ética demagoga.

Gostaria de encerar com uma frase de uma amiga (irmã) “Fui todos e hoje não sou ninguém”...

Da próxima vez mais calma... LC